sexta-feira, 27 de julho de 2007

enquanto queima um cigarro

o homem do caminhão de gás enquanto enche os botijões do prédio pensa em como seria bom ver tudo aquilo indo pelos ares. seu andar é cansado. ele pega no pau como se alí pulsasse a sua vida. é o único fio que o solta dessa máquina chamada trabalho.

a faxineira de vassoura na mão pensa em como seria divertido jogar todos aquele móveis caros pela janela. ela alisa com o pano objetos que valem mais que sua própria vida. no seu olhar de tristeza está a ultima centeia de vida.

o porteiro observa a televisão com todas as câmeras do prédio ligadas. seu olhar é concentrado. mas como ele se divertiria com um assalto àqueles apartamentos que zela. aperta o botão e mais um carro entra. aperta novamente outro carro sai. cospe.. alí está sua vida jogada no chão.

a síndica cobra agilidade na colocação do gás e se incomoda com o mal-gesto do homem. a patroa reclama da sujeira dos móveis. o menino que joga futebol pisa no cuspe.

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