domingo, 16 de setembro de 2007

cancioneiro de niassa

em acampamentos militares portugueses, em moçambique, durante a guerra de libertação colonial, as tropas portuguesas já um pouco mais sabedoras do que se tratava aquela peleja, ao contrário dos primeiros combatentes, produziram fados que retratavam as condições da luta, de forma humorística e, às vezes, satírica.

esses fados são conhecidos como o "cancioneiro de niassa" e eram uma forma de protesto, inclusive contra a guerra.

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"VENTOS DE GUERRA"

De quantos sacrifícios senhores que em mim mandam
É feita a vida dum soldado
De quantas noites perdidas no mato
É feita vida dum guerreiro
São ventos de guerra
Não penses amigo
Que a hora que passa é de perigo

De quantos tiros senhores que me ordenam
É feita a vida dum soldado
De quantas minas senhores que em mim mandam
É feita a vida dum guerreiro

Quem limpa senhores as manchas de sangue
Que os jovens deixam na picada
Quem limpa senhores lágrimas choradas
Por noivas e mães adoradas

São ventos de guerra...
São ventos de guerra...

De quantas saudades senhores que em mim mandam
É feita a vida dum soldado
E quantas loucuras senhores que me ordenam
Contém a vida dum guerreiro

De quantos desgostos senhores que em mim mandam
É feita a vida dum soldado
E quanto vinho senhores que me ordenam
Se deve beber p'ra esquecer

São ventos de guerra
São ventos de guerra

E quantas vezes senhores que em mim mandam
Se deve expor a vida ao perigo
E quantos gritos se devem soltar
Para se acreditar que está vivo.

Quantas idéias tombadas na luta
Quantas esperanças perdidas
Quanto sangue deve um jovem verter
Antes que o chamem de homem

São ventos de guerra...

Um comentário:

Anônimo disse...

obrigado helder por esta informacao. é bom saber9416 nalsits