quinta-feira, 8 de novembro de 2007

o bandido da luz vermelha - rogério sganzerla


Aos senhores críticos:

Definitivamente, queria esquecer O Bandido da Luz Vermelha (rodado em abril-maio de 1968) de uma vez, já que foi feito para ser visto num poeira, esquecido ao fim da sessão, jogado no lixo enfim, ao invés de ser conservado na memória dos cineclubes e cinematecas. Em São Paulo tive também de fazer a crítica porque picharam ou elogiaram sem entender. Continuo esperando umna crítica inventiva, ao nível do provável e não da certeza idealista, das especulações sentimentais e perspectivas do passado (e do provincianismo, principalmente). Não dá pé escrever que "Helena Inês está genial, é uma personagem fatal." É preciso repensar – no cinema como na crítica – o nova dimensão do ator, da câmera, do diálogo; discutir as noções de belo, talentoso, sensível, etc. Pelo amor de Deus, senhores críticos, não publiquem o óbvio, que eu sou "um talentoso influeicnado por Welles e Godard." Falem da minha dívida a Mojica, que vocês detestam, por exemplo.

É preciso, outro exemplo, dizer que com este filme o cinema moderno finalmente chega ao Brasil; que eu me recuso a fazer literatura na tela; que enfim surge um filme brasileiro ligado a Hawks e Godard e não a Visconti e Fellini (isto é fundamental). Reparem as inovações da banda sonora. Necessário dizer, também, que eu e alguns poucos estamos por dentro, ao contrário dos deslumbrados provincianos do cinema novo rico. Se tivesse que definir falaria de um cinema péssimo e livre, paleolítico e atonal, panfletário e revisionário – que o Brasil atualmente merece. Repito isso tudo simplesmente porque não agüento mais o que vem sendo feito pelo cinema novo. Falo como espectador comum, agredido pela burrice institucionalizada.

Felizmente, Formosa Pistoleira – meu segundo longa-metragem, em fase de finalização e mixagem – é o contrário deste: escolhi a teleobjetiva ao invés da grande angular, longos silêncios substituem esta apocalíptica banda sonora; um filme calmo, afirmativo e fechado sobre si mesmo.

Outro dia, numa entrevista a O Cruzeiro, que ninguém leu, disse que "o cinema não me interessa, mas a profecia". Com essa frase resumo o meu desprezo pelas pequenas sensibilidades, pelos autores levemente corajosos, sutilmente inteligentes, afirmando munha ruptura ao movimento de elite, aristocrático, paternalizante e acadêmico denominado cinema novo. Vendo O Bandido, compreenderão minha radicalização sincera.

Já fui crítico; e se deixei o jornal para realizar provocações antiocidentais não foi para virar autor como Bergman ou Antonioni mas para, no máximo, ser um anônimo copydesk de Mack Sennett.

Rogério Sganzerla

2 comentários:

Helder Thiago Maia disse...

"quando a gente não pode fazer nada. a gente avacalha. avacalha e se esculhamba!" (luz vermelha)

Helder Thiago Maia disse...

trilha sonora que encerra o filme: "i dont live today - jimi hendrix". fantástico.