segunda-feira, 12 de novembro de 2007

rio, 40 graus - nelson pereira dos santos

segundo glauber rocha, nelson pereira dos santos é "o pai do cinema novo" e "rio 40 graus" é o marco fundador, mesmo que não intencionalmente, desse movimento que mudou o cinema nacional.

o primeiro choque que provocou em 1955 foi o deslocamento do cenário, nelson incorpora o morro e os moradores do rio de janeiro ao cinema. isso o torna o grande farol de filmes como "pixote" e "cidade de deus".


alí estão os meninos que aos doze anos são homens em luta pela sobrevivência, a moral liberal e interesseira da classe média das praias de copacabana, o espetáculo do futebol e toda a sua irracionalidade, a politicagem brasileira e seus jogos de interesses, o samba e muito mais. nada poderia ser mais atual.

sem ser didático e sim! poético nelson parece explicar com cada cena o surgimento de comportamentos que se reproduzem em todo o país, partindo da individualidade de cada personagem ele chega ao coletivo.

duas são as jóias estéticas do filme: o menino que ensina o outro a pedir esmola e o menino que foge em cima do bondinho do pão-de-açúcar. são cenas fortes que expõe as tripas da nossa miséria.


por isso tudo, "rio 40 graus" é o melhor filme brasileiro.


3 comentários:

Tijuan disse...

Rio 40 graus é um filme emocionante mesmo, belíssimo.
Tem inspiração do neo-realismo italiano, mas nelson pereira mostra aquela história de uma forma tão nossa, que, apesar da influência, não é uma leitura européia (como muita gente faz) da nossa realidade. A influência até parece não existir.
Um dos nossos melhores filmes mesmo.

Anônimo disse...

No Brasil em 1955, só se fazia pornochanchadas; e aí surgiu Nelson Pereira dos Santos, reunindo a nata dos artistas de vanguarda, todos inspiradíssimos, e querendo um lugar ao sol. Muito feliz na parte musical com o lindo samba de ZEKETI, maravilhósamente interpretado pela linda atriz e maravilhósa cantora Claudia Moreno, e a verdade politica da época, das favelas, do morro, da miséria, Copacabana, fez um néo realismo, muito bem trabalhado, e maravilhósamente produzido, que na vedrdade foi o marco do cinema novo no Brasil..

marcelo_da_rosa disse...

Filme emocionante. Mostra que a exclusão social é muito mais antiga do que imaginavamos. Interessante notar que se hoje em dia se busca cinema de realidade, Nelson Pereira dos Santos em 1955 ousou mostrar literalmente o povo no cinema, na visão de crianças já tão endurecidas. Parabéns pelo post !