segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

nina - match point - crime e castigo

"nina". de heitor dhalia, e "match point", de woody allen são duas obras inspiradas no livro de dostoievski, "crime e castigo".

guta stresser (nina) não convence no papel de raskolnikov. suas caretas de ódio, desprezo ou raiva muitas vezes causam risadas. o fime é de tom negro, como se o enredo em sim não fosse suficiente para dar a atmosfera certa do livro de dostoievski. para tornar-se parecido com o livro heitor se vale de expedientes previsiveis: a cor do filme, o som do filme, etc.


porque raskolnikov tem que ser representado de forma sempre tão marginal?

mesmo que essa fosse uma necessidade, nina não convence!

a melhor cena parece ser o momento em que nina após uma noite de sexo com um cego (wagner moura) rouba sua casa e ele dá gargalhadas do acontecido. do que ele ri? de quem ele ri? do sexo pago com seus objetos de casa? da noite que parecia perfeita e terminou em assalto? dele? de nina? do espectador? parece que wagner moura é o verdadeiro raskolnikov de dostoievski. ele sim é extraordinário, nina é ordinária.

já match point, levemente inspirado no livro, é muito mais bem feito. não há a esteriotipagem de nina. a cor do filme é clara, o filme não precisa ser sombrio para estar carregado da atmosfera do livro. jonathan rhys-meyes é um raskolnikov, é extraordinário, mesmo sem repetir em imagens o que é escrito no livro.


adaptações cinematográficas nem sempre precisam repetir as mesmas ações do livro e nunca repetem. a fidelidade das ações não é uma necessidade já que se trata de duas linguagens diferentes. vale mais, nesse caso, as características dos personagens (carga dramática). até porque o filme de heitor se passa em uma são paulo atual, sendo impossível repetir o que ocorre no livro.

nina pretende ser um raskolnikov mas é no máximo uma cópia piorada dele. perde por isso! porque não inova, apenas repete. a intensidade do livro não se apresenta em nenhum momento na personagem de guta stresser. já chris wilton (jonathan) mesmo sem repetir as ações do personagem de dostoievski acerta na carga emocional ou até na falta dela.

3 comentários:

Pedro disse...

sim sim! Muito bom!
nunca tive tesão pra assistir Nina (tenho sérios problemas com filmes nacionais muito pop- não é o caso desse, mas enfim:D)mas adoro match point. Não li Crime e Castigo, só acho Jonathan incrivelmente nojentinho atuando. Talvez essa antipatia faça muito bem ao personagem... :D

bitewingster disse...

Assista Melinda e Melinda, de Woody, muito interessante. O filme nacional não assisti. Prefiro Hollywood, a Broadway e Rodeo Drive...Não gosto muito daqui, nem do cinema..Mas enfim.

Abraços.

Alessandro

P.S. Em Melinda e Melinda vemos a vida de duas formas. Prefiro encará-la com leveza, pragmatismo e objetividade a ficar nesta crise existencial insensata e chata dos "intelectuais" de camisa vermelha.

+ abraços.

Caio Maia disse...

incrivel. estou perto do fim da minha primeira leitura de crime e castigo e assisti, despretenciosamente ao filme match point sem nada saber sobre o enredo. foi uma surpresa bastante agradável. Concordo plenamente com o Helder: o filme não precisa apelar para uma fotografia sombria para reprodzuir a Sao Petersburgo de Dostoievski. A tematica principal do livro foi mantida: a culpa, e como lidar com ela. É fato que um filme não conseguiria jamais ser tão completo quanto um clássico da literatura, mas Woody Allen certamente acertou em cheio. Achei o ator principal aquem da qualidade do filme