sábado, 1 de março de 2008

quarto 666 - wim wenders

para quem pensa cinema para além do entretenimento o filme "quarto 666" de wim wenders, de 1983, é obrigatório. quando estava a caminho do festival de cannes de 1982, ele resolveu reunir um elenco de grandes diretores para discutir o futuro do cinema. wenders escreve algumas perguntas para que seu elenco de pensadores as respondam. assim, o filme é uma viagem metalinguistica no mundo cinematográfico. o cenário é simples: um quarto de hotel, uma cadeira com o convidado, uma câmera fixa e um televisão ligada.

a tv está ligada sempre, mas o que ela transmite é sem importância para o filme, pode ser uma partida de tênis ou um desenho animado, não importa! porque o espetáculo, nesse caso, não aparece. ele é o cinema. é ele que produz o show. é ele que produz o debate e a reflexão. é o cinema que está por trás das câmeras.


o primeiro a aparecer na tela é godard, seus esclarecimentos sobre o surgimento do cinema e da tv, que esteve sempre associada à publicidade, o porquê da velocidade de comerciais, e além disso de programas, são pontuais. godard vai calmamente com seu charuto nos dando pequenas pistas para pensar o cinema e a tv. gosto, especialmente, quando ele diz "a televisão é como um pequena agência de correios".

depois de godard, desfilam pela tela, rapidamente: paul morrissey, o diretor de cinema da fábrica de andy warhol. para este o cinema morrerá, assim como a poesia e o romance estão mortos; mike de leon, diretor filipino; monte hellman, que não acredita na morte do cinema; romain goupil, acredita que o cinema pode se utilizar da tv para transmitir filmes para o mundo inteiro; susan seidelman e; noel simsolo.

fassbinder acredita em uma polarização do cinema: cinema de estilo e cinema de sensação. um cinema individual e um cinema de televisão. um cinema importante e outro sem importância.

werner herzog, para responder às perguntas, tira os sapatos e desliga a tv. ele não crê em uma situação tão dramática, para ele as duas linguagens são completamente diferentes.

robert kramer, acredita na liberdade no cinema; ana carolina, agradece por participar da entrevista; mahroun bagdadi, fala de problemas de produção.

spielberg é um grande otimista em relação ao cinema e à hollywood. e fala de dinheiro. dinheiro. dinheiro e dinheiro. aliás, dolares. dolares e dolares.

antonioni discute a influência da televisão no espectador e crê que as novas tecnologias criarão um novo tipo de cinema. o cinema passará para as casas.

wim wenders aparece para dar voz ao cineasta turco yilmaz guney que havia sido extraditado e não pode filmar. yilmaz acredita que o cinema industrial reproduz o que deseja as massas, enquanto que o cinema artístico fala sobre as massas. obrigado wim!

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