terça-feira, 22 de abril de 2008

pensamentos de ônibus

o discurso pós-moderno-democrático-culturalista "reconhece" o discurso de "todos" como válido, como se todos tivessem algo a dizer já que não há uma verdade, há verdades, não há um ponto de vista, há pontos de vista, etc.

mas esse discurso deixa de ser aplicado na prática - bem ao gosto do pós-modernismo - quando o assunto em questão é sobre alguma minoria. aí a legitimação pra se falar sobre aquele assunto é de uso exclusivo do grupo minoritário, ou seja, só negro tem legitimidade pra falar de negro, só homossexual pode falar de homossexual, e por aí vai. como se viver uma condição fosse um atestado de validade e autenticidade daquele discurso. "não fale do que você não vive", ponto final.

partindo desse princípio, só político poderia falar de política, só delegados e policiais poderiam falar de formas de se coibir a criminalidade. mas não é assim. nesses assuntos "todos" podem dar sua opinião sem precisar do atestado de autenticidade.

o que está por trás disso? por que alguns saberes precisam desse atestado de autenticidade para lhes dar validade? o que visam essas instituições de saber?

sexta-feira, 11 de abril de 2008

uma questão de gênero

a mostra "possíveis sexualidades", que aconteceu nas últimas duas semanas em salvador mostrou dois filmes irretocáveis (roteiro, fotografia, direção, tudo!) que falam sobre o homem e a sua diversidade. dois filmes para se ter em casa. pra mostrar pros amigos. pros pais. pros alunos. pra toda e qualquer pessoa. filmes que não precisam do rótulo "cinema gay", pois estão para além da busca de uma indentidade. estão em busca do homem e da sua diversidade. então, imperdíveis.


"Uma Questão de Gênero"
Direção, Roteiro e Produção: Rodrigo Najar



"XXY"
Direção: Lucia Puenzo

quinta-feira, 3 de abril de 2008

gaguejar na língua

"Escrever é gaguejar na língua. Se não se leva a linguagem até o ponto em que se gagueja, se não se vai até esse ponto.... Na literatura, de tanto forçar a linguagem até o limite, há um devir animal da própria linguagem e do escritor e também há um devir criança, mas que não é a infância dele. Fazer literatura apelando para a infância é tornar a literatura parte de seu caso particular. É fazer literatura barata, são os best-sellers. Se há alguem que não se interessa por sua própria infância, este alguém é Proust." (Deleuze)

(do filme "O Abecedário de Deleuze", letra E, "enfance")