terça-feira, 22 de abril de 2008

pensamentos de ônibus

o discurso pós-moderno-democrático-culturalista "reconhece" o discurso de "todos" como válido, como se todos tivessem algo a dizer já que não há uma verdade, há verdades, não há um ponto de vista, há pontos de vista, etc.

mas esse discurso deixa de ser aplicado na prática - bem ao gosto do pós-modernismo - quando o assunto em questão é sobre alguma minoria. aí a legitimação pra se falar sobre aquele assunto é de uso exclusivo do grupo minoritário, ou seja, só negro tem legitimidade pra falar de negro, só homossexual pode falar de homossexual, e por aí vai. como se viver uma condição fosse um atestado de validade e autenticidade daquele discurso. "não fale do que você não vive", ponto final.

partindo desse princípio, só político poderia falar de política, só delegados e policiais poderiam falar de formas de se coibir a criminalidade. mas não é assim. nesses assuntos "todos" podem dar sua opinião sem precisar do atestado de autenticidade.

o que está por trás disso? por que alguns saberes precisam desse atestado de autenticidade para lhes dar validade? o que visam essas instituições de saber?

Um comentário:

Sol disse...

Atestados de validade, ou autenticidade pra segundo os mesmos dar credibilidade à opinião...Mas concordo que todos devem opinar, a opinião é livre não deve vir conjunta com a experiência ou vivência do mesmo, mas deveria vir com argumentos sólidos sobre o mesmo, se assim fosse,a opinião seria pra acrescentar, revisar, ou estimular uma visão sobre esse assunto. Daí a gente poderia falar não apenas de cinema gay ou literatura gay, ou qualquer coisa relacionada,mas a tudo a que se quer discutir. Acho que a validade que as instituições dariam servem, se forem sérias, a um próposito da comunidade científica. Eu penso que seria como publicar não uma opinião que todos tem direito,mas sim de algo que sirva a todos, uma pesquisa, uma tese defendida é dizer e ouvir sobre determinado assunto, muitas opiniões embutidas,convergentes, divergentes,mas que do início ao fim tenham conexões que formem um sentido compreensível. (Ui será que viajei muito?) bjos