sexta-feira, 26 de setembro de 2008

hein? - tom zé

Ela disse:
-Nego, nunca me deixe só!
Mas eu fiz de conta que não ouvi:
-Hein?
Ela disse:
-Orgulhoso, tu inda vai virar pó!
Mais eu insisti, dizendo:
-Hein? Hein? Hein? Hein? Hein? Hein? Hein? Hein?
Eu insisto:
-Hein? Hein? Hein? Hein? Hein? Hein? Hein?

Ela arrepiou e pulou e gritou:
-Este teu - hein? - muleque
Já me deu - hein? - desgosto
Odioso - hein? com jeito
Eu te pego - Ui! bem feito
Prá rua - sai! - sujeito
Que eu não quero mais te ver

-Eu dei casa e comida
O nego ficou besta
Tá querendo explorar
Quer me judiar
Me desacartar!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

macunaíma - mário de andrade

há oitenta anos atrás, depois de muito investigar o Brasil, Mário de Andrade escreveu "Macunaíma - o herói sem nenhum caráter". apesar da polissemia, a falta de caráter do brasileiro seria, para Mário, devido a falta de uma tradição forte o suficiente que fosse capaz de definir um caráter, uma identidade.


a rapsódia andradiana, corroe, assim, todos os esteriótipos de uma suposta identidade brasileira. que bom! qualquer identidade se dá pela escolha arbitrária de algumas características para representar uma coletividade. é algo que engessa e exclui. é bom pensar que por trás de qualquer definição identitária existe milhões de formas de poder. - dominação e exclusão. a identidade apaga o caráter subversivo. a identidade acomoda as pessoas em torno de uma coletividade.

fahrenheit 451 - truffaut

existem filmes que não possuem falhas, seja no enredo, seja na imagem ou em qualquer outra coisa. o primeiro filme em cores de truffaut e o único em inglês é assim. além de provocar catarses e nos colocar em risco, ele é uma ótima fonte de estudo para estudantes de letras, de direito, de sociologia, etc.

sábado, 13 de setembro de 2008

www.votonulo.org

Voto nulo não anula eleição

dom, 24/08/2008 - 13:15


Ao contrário dos candidatos, este site não tem o intuito de enganar as pessoas e a verdade é que o voto nulo NÃO anula a eleição, o que pode anular é a nulidade, que seriam fraudes no sistema eleitoral. Essa foi a interpretação de Marco Aurelio Mello, em 2006, então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na prática, voto branco é a mesma coisa que voto nulo. Essa diferenciação existia antigamente quando então os votos em branco eram computados para obter o quociente eleitoral. Hoje tanto os votos em branco, como os votos nulos, são descartados de qualquer contagem. Porém preferimos usar o termo voto nulo, porque em um sentido figurado reflete melhor a idéia de protesto.

Porém não esqueçam que no Brasil é obrigatório votar, portanto não votar sem nenhuma justificativa prevista ou aceita pelo juiz eleitoral, acarreta em punição que normalmente é uma multa. É ridículo, porém é verdade. Jô Soares, embora uma pessoa muito esclarecida, certa vez fez um comentário no mínimo tolo. Disse que o voto não é obrigatório, e sim o comparecimento nas urnas. Errado. Na era da urna eletrônica, se você não pressionar o botão verde, confirma, e a informação não aparecer para o mesário no terminal, você não receberá seu comprovante de voto. O mesmo vale para as cédulas de papel, somente após depositá-la na urna você terá o seu comprovante. Portanto, não importa se o voto foi válido ou não, mas votar é obrigatório.
Nosso movimento nunca teve o interesse em anular qualquer eleição, pois a próxima seria a mesma coisa, seria o mesmo que trocar seis por meia dúzia. O que queremos é mudar o sistema político e não dá para fazê-lo continuando a concordar com ele. Com um sistema político eficiente, o peso dos candidatos é menor.

O fato do voto nulo não anular a eleição, não tira o seu mérito, que é o de deixar claro que você não concorda com o sistema atual e não irá participar dele. Se mesmo com um forte movimento de protesto através do voto nulo, a suposta parcela de bons políticos não fizer nada para mudar o sistema político, ficará comprovado que essa parcela não existe.

Quem diz que por esses motivos é tolice votar nulo, nós dizemos que tolice é concordar com esse sistema e continuar nesse círculo vicioso de no mínimo 4 anos, acreditando em promessas que "agora vai ser diferente". Oras, hoje um candidato pode prometer o que quiser e se não cumprir, continua no poder, e pior, nada acontece. É inteligente continuar assim? Para nós é bastante tolo, por isso preferimos votar nulo.