sexta-feira, 31 de outubro de 2008

kodo e olodum

Quem saiu de casa ontem (quinta-feira) para ver a união do grupo de percussão japonês Kodo com o grupo de percussão Olodum não vai esquecer tão cedo o que aconteceu na Concha Acústica.

O Kodo nos presenteou com um espetáculo muito bem ensaiado e extremamente técnico, mas também muito emocionante. Os sons tirados dos tambores e pratos japoneses pareciam estar ligados à natureza, aos animais e aos instintos primeiros dos homens – um espetáculo.

Em determinado momento a Concha Acústica parecia ser uma grande colméia e os tambores pareciam produzir o bater das asas de muitas abelhas – foi uma experiência que nos transportou para outro espaço. Minutos depois parecia que estávamos em uma grande rave tal era a variedade sonora.


A percepção das singularidades do Kodo foi permitida porque o espaço não estava cheio, como habitualmente. A técnica japonesa era tão perfeita que a câmera que filmava o espetáculo mostrava os pequenos detalhes, os pequenos toques nos tambores para que o público tivesse a possibilidade de um olhar mais aproximado.

Outro bom momento do show foi quando apareceu o tambor da foto abaixo: além da potência do som e da beleza do cenário e da iluminação, o fato do percussionista estar com uma roupa típica do Japão que parecia o nosso fio dental causou um certo furor na platéia masculina.


As risadas foram muitas, mas o som e a potência do que estava acontecendo no palco abafaram o machismo baiano e no final assistir àquele homem que parecia fazer sexo com seu enorme tambor levou a platéia ao delírio.

Às mulheres que participaram do espetáculo não coube o papel único da dança. As mulheres não estavam ali apenas para dançar para os homens que faziam a música, mas estavam para tocar e também para dançar. E fizeram com maestria no tambor, no canto e também na citara. A dança permite a sensualidade mesmo com o corpo todo coberto, como as japonesas.

Por fim, o Olodum veio ao palco e mostrou a grande diferença que existe entre a percussão japonesa e a percussão baiana: o swing. Nossa percussão deu ao público a possibilidade de mexer o corpo como estamos acostumados, com movimento mais swingados e menos mecânicos.

O Olodum parecia mais à vontade, mais aberto aos improvisos dos seus percussionistas – o show se transformou em uma grande jam session. A partir daí a platéia levantou e não sentou mais.

Depois do show do Olodum os japoneses se juntaram e todos fizeram um espetáculo cheio de improvisos, onde o canto dos japoneses se misturou à música de Dorival Caymmi entoada pelo Olodum. Foi um espetáculo único entre duas grandes potências da percussão mundial.

Ao final do espetáculo a platéia de pé aplaudiu por longos minutos, o clima era de catarse, as pessoas que ali estavam tinham vivido o êxtase da arte.

Um comentário:

Pedro Dell'Orto disse...

Que pena que perdi esse espetáculo em Salvador. Vou torcer para que tenhamos outro.