domingo, 26 de outubro de 2008

manoel de oliveira - cristovão colombo - o enigma


ver um filme de manoel de oliveira é quase sempre se afogar em um mar de lágrimas portuguesas, um saudosismo dos tempos áureos de portugal, dos tempos dos descobrimentos. o olhar é português e por isso não se problematiza nada que não seja além do que o português deveria ver. é sempre uma reflexão de portugal para portugal.

para explicar essa visão, utilizo duas citações do diretor em que ele explica um pouco o seu filme. "
Como diz Fernando Pessoa, todos os descobrimentos são portugueses, porque o processo é português." E já como um personagem do seu próprio filme ele diz: "os descobrimentos foram uma dádiva não só para portugal, como para todo o mundo".

é assim com o filme "douro, faina fluvial", seu primeiro filme de 1931 e, também com "cristovão colombo - o enigma" seu último filme, de 2007.

"O navegador foi italiano para os italianos, espanhol para os espanhóis e agora é português para os portugueses. Mas nenhum destes países é mais internacionalista, mais universalista, que Portugal." esse é outro objetivo do filme, trazer definitivamente para a história portuguesa mais um grande homem.

manoel de oliveira coloca-se mais uma vez como o guardião da memória portuguesa, o responsável por mostrar aos portugueses e ao mundo a "grandiosidade" desse pequeno país.
e é assim que ele passa para a frente da câmera junto à sua verdadeira mulher, passando a atuar.

Oliveira (como ator) nos eua mostra à sua mulher os monumentos em homenagem aos descobrimentos e a portugal. junta-se, então, os dois maiores imperialistas do mundo: eua e portugal. essa união serve inclusive para comparar a preservação da memória nos eua, e a falta dela em portugal (na verdade açores).

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