sexta-feira, 14 de novembro de 2008

ana paula ribeiro tavares - não conheço nada do país do meu amado

Ana Paula Ribeiro Tavares
(Angola, 1952)

“Não conheço nada do país do meu amado”

Não conheço nada do país do meu amado
Não sei se chove, nem sinto o cheiro das
laranjas.

Abri-lhe as portas do meu país sem perguntar nada
Não sei que tempo era
O meu coração é grande e tinha pressa
Não lhe falei do país, das colheitas, nem da seca
Deixei que ele bebesse do meu país o vinho o mel a carícia
Povoei-lhe os sonhos de asas, plantas e desejo
O meu amado não me disse nada do seu país

Deve ser um estranho país
o país do meu amado
pois não conheço ninguém que não saiba
a hora da colheita
o canto dos pássaros
o sabor da sua terra de manhã cedo

Nada me disse o meu amado
Chegou
Mora no meu país não sei por quanto tempo
É estranho que se sinta bem e parta.
Volta com um cheiro de país diferente
Volta com os passos de quem não conhece a pressa.

In “O lago da lua”

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